quinta-feira, 3 de maio de 2012

Uma nova janela

Dizem que os olhos são a janela da alma.


Eu vejo a vida como um filme, onde o protagonista sou eu e tudo o que acontece comigo é uma cena. Tudo o que eu vejo é como se fosse a tela do cinema, mas na verdade é uma janela.

Se o que eu vejo entra em mim, então eu acredito em tudo o que vejo, acredito no que realmente é.

Se olhamos pela janela e vemos o passado, então vivemos num lugar grande e bonito, cheio de quadros, obras de arte, pinturas feias e bonitas, estátuas, exemplos... coisas próprias de museu. Mas eu não vejo o passado pela minha janela, tanto que não estou num museu, mas num filme.

Se eu ver um lugar com carros voando, prédios imensos, robôs e poucas pessoas... então estou num filme futurístico? Não, pois quando eu era pequeno pensava que quando fosse tirar carteira de motorista, seria para dirigir um carro desses.

Falei com uma pessoa certa vez que me disse: - Espere. Não entendi de primeira mais depois compreendi que eu deveria esperar para olhar pela janela. Por que? Porque nem tudo lá fora está pronto e nós nem sempre estamos preparados para ver.

Na minha janela, e em meu filme, eu vejo as mesmas coisa todo dia. As mesmas pessoas, os mesmos comportamentos, as mesmas injustiças, os mesmos descontentamentos, muitas petições, algum choro, pouco soluço. Meu filme é real, mas abstrato o suficiente para não me incluir nele como deveria, não que eu viva em outro mundo, mas talvez em outra realidade.

Em meu filme, poucas pessoas se mexem para mudar o que acontece de errado, e muitas outras tem vergonha de fazer. Vejo todos calados, somente conformados. Se alguém faz alguma coisa contra isso, é radical, que seja. Pelo menos alguém faz. Se for só eu? que seja, pelo menos faço a minha parte e não pense que quero algo em troca, pois não se precisa disso para tentar se fazer o certo... ao contrário do que a maioria pensa "o certo é certo" e não errado.

Percebi pelo conselho de um sábio senhor, pastor, que um belo futuro aguarda aqueles que fazem algo para melhorá-lo, mesmo sem aplausos, gritos e euforia, só precisa de atitude. Quem planta colhe, e quem plantar coisas boas, terá coisas boas.

Percebi que a questão não é parar de olhar pela janela, mas sim, olhar por uma nova janela, por uma nova perspectiva, algo mais aguçado.

Não sei se dá para mudar o mundo, ou as pessoas que há nele, mas se uma fração disso melhorar, ainda assim continuarei insatisfeito.


By: Steve


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